Artigo
2009 será o ano que promoverá a transparência, a ética, a justiça e a competência para uma sobrevivência dos talentosos
Há um livro interessantíssimo com o título “Em águas profundas”, de David Linch, famoso e controvertido diretor de cinema, cuja principal citação é: “Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas se quer um peixe grande, terá que entrar em águas profundas.”
Linch sempre foi transgressor e polêmico e uso sua biografia para entendermos como temos que estar sempre preparados para desafios e superações de obstáculos esperados e inesperados.
Ainda usando o mar como analogia, ao olhar suas ondas e as causas de seus movimentos percebemos que há eternas alternâncias entre a tranqüilidade, suavidade e beleza da sua calma maré e a turbulência, ferocidade e brutalidade da sua temerosa fúria.
Mercados, empresas e negócios são como o mar e como toda a natureza que nos rege; as trocas entre a bonança e a tormenta são a energia adquirida para o crescimento, evolução e desenvolvimento.
Nada é fácil e nada é tão difícil que os preparados empresários não possam enfrentar nestes momentos que chamamos de crise.
Como qualquer outro momento de dificuldade, primeiramente deve ser admitido. O verdadeiro e útil otimismo é aquele em que você reconhece o terreno em que está jogando, analisa, cria uma estratégia e tem a força da iniciativa e prática. Isso lhe carrega de confiança e você se torna um otimista.
O falso otimista é pior que o pessimista com sua inércia: acha que vê o sol durante a tempestade ante a buscar um abrigo para pensar antes de agir.
Portanto, esse obstáculo financeiro pelo qual estamos passando é verdadeiro, vai chegar até nós e provocará mudanças importantes.
E é exatamente esta a sua função: enquanto nos causa profundas alterações e marcas na pele, nos oferece excelente oportunidade para mudar a forma de pensar, fazer diferente e inovar.
Portanto, em crise não se deve bater de frente, mas compreender sua trajetória, suas razões e até seus caprichos para estar presente no terreno após sua passagem.
Uma pretensiosa análise deste momento do mundo em crise: depois de uma torrencial e desastrosa administração George Bush vem uma revolucionária gestão Barack Obama; depois de quase destruirmos o mundo, estamos vivendo o maior consciente coletivo do homo sapiens em prol da recuperação do meio ambiente; depois de séculos de colonialismo financeiro e cultural do Hemisfério Norte sobre o Sul, pela primeira vez o Sul tem real importância no planeta dos homens; depois dos primeiros catastróficos 500 anos do Brasil, de Cabral a Sarney, conquistamos nosso primeiro pão com mortadela com os próprios recursos, como citou nosso respeitoso presidente Lula e que pode nos permitir, se não passar como uma marolinha, estar bem longe de um tsunami como em outras crises que nos fizeram especialistas nelas.
Na comunicação, após o imperialismo das marcas, dos veículos de comunicação e da propaganda, chega o poder das pessoas com sua arma mais forte e democrática do que a bomba atômica e a guerra do Iraque juntas, que chamamos de internet, blogs, portais e web 2.0, 3.0 etc.
As pessoas, na direção do mundo, dos negócios e da sua própria vida. Ou seja, o mundo está um reboliço.
O ano de 2008 registrou muito bem o ano dessa transformação, mágico, com a abertura das Olimpíadas da China e a aberração financeira já marcada, há tempos, para morrer.
O ano de 2009 será o ano que promoverá a transparência, a ética, a justiça e a competência para uma sobrevivência dos verdadeiros competidores com talento.
Seus resultados dificilmente serão tão visíveis em 2009, mas com certeza teremos uma próxima década com o mar em equilíbrio com a terra e o vento, externando todo o aprendizado com novas conquistas.
Portanto, e finalizando, concordo com a visão de David Linch: este é um momento de criatividade e meditação e não de confrontos. Essa medida lhe dará a intuição para seguir em frente.
Fonte: Revista Marketing, 02/09
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